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Por Flaviana Serafim*

Na  Penitenciária de Presidente Prudente, um total de 21 presos fugiram do semiaberto, dos quais cinco na madrugada de sábado para domingo (25), no turno III, e outros 16 fugiram no turno IV deste dia 25 de outubro. O Grupo de Intervenção Rápida (GIR) foi para a unidade para realizar contagem e controlar a situação. Até o momento, dez detentos foram recapturados pela Polícia Militar, que segue nas buscas pelos demais.

As fugas ocorreram após tentativa de tumulto e ameaça de quebra-quebra pelos detentos no sábado (24) devido à superlotação no semiaberto, onde as vagas são para 247 presos, mas a população carcerária é 669, ou seja, 170% a mais do que a capacidade. 

Para piorar a situação, além da superlotação faltam servidores, pois vários policiais penais se aposentaram e o governo estadual continua sem convocar concursados mesmo com a gravidade da situação no sistema prisional paulista. De acordo com informações recebidas pela direção do SIFUSPESP, há dias na Penitenciária de Presidente Prudente em que há apenas dois policiais penais para cuidar de dois pavilhões.  

No sábado, três presos do semiaberto tentaram pular o alambrado, agrediram funcionários, mas foram recapturados. Também houve intervenção do GIR, que isolou cinco lideranças do movimento em cela separada para transferência à Penitenciária de Presidente Venceslau, mas por volta da 1h da madrugada do domingo acabaram fugindo. 

Caos se aprofunda, segurança está em risco, mas SAP não toma atitude, alerta SIFUSPESP

Semanalmente, a direção do sindicato tem alertado quanto ao aprofundamento do déficit de servidores no sistema prisional paulista, que se aprofunda a cada dia porque há mais de dois anos não há nomeação de concursados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). Ao mesmo tempo, vários servidores se aposentaram e a falta de funcionários se agravou com a pandemia devido aos afastamentos do grupo de risco, sendo urgente a reposição de servidores. 

Considerando somente policiais penais que integram as carreiras da área de segurança (Agentes de Segurança Penitenciária - ASPs e Agentes de Escolta e Vigilância Penitenciárias - AEVPs), há  4.767 cargos vagos. Além de denunciar o problema do déficit judicialmente e aos meios de comunicação, o sindicato vem cobrando reunião com a SAP, e inclusive o presidente Fábio Cesar Ferreira, o Jabá, abordou pessoalmente o secretário Nivaldo Restivo no último dia 21 de outubro, após a inauguração do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Álvaro de Carvalho. 

“A reposição é urgente, não é possível mais continuar esse déficit de servidores. O risco é para todos, dentro e fora dos muros. É risco para toda a sociedade e a SAP é responsável por isso. O que mais estão esperando que aconteça para alguma atitude seja tomada?”, questiona o sindicalista.  

*Alterado em 26/10/2020, às 14h41, para atualização de informações