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Por Flaviana Serafim

Com o tema “Reconhecimento e Valorização da Mulher Policial Penal do Sistema Penitenciário”, o 1º Fórum das Mulheres Policiais Penais do Brasil no Estado de São Paulo ocorreu na tarde do último dia 12 de março, no Auditório Teotônio Vilela da Assembleia Legislativa. 

Reunindo dezenas de participantes e com palestrantes convidadas de diversos estados do país, o evento foi realizado numa iniciativa do blog Guerreiras do Sistema Prisional e contou com patrocínio do SIFUSPESP e da FENASPPEN (confira o vídeo com a íntegra do Fórum no final da matéria).

A primeira debatedora foi a policial penal Aline Lara, diretora administrativa do SINDCOP, com a palestra “Mulher Policial Penal: trajetória e estigmas, uma história de competência”. Ela falou da luta por oportunidades, do enfrentamento ao machismo e dos direitos das trabalhadoras. 

“Com o machismo do sistema prisional, não temos que esperar por condições ideais para que as oportunidades apareçam. Temos que fazer as oportunidades, buscar por elas”, afirmou a policial penal ao compartilhar suas experiências, tais como a vivência de uma rebelião em 2001, quando foi feita refém grávida de 20 semanas. 

“Preze por esse direito, é pela sua vida e a vida do seu filho”, ressaltou Aline ao destacar a importância da garantia às grávidas do direito de não trabalhar em ambiente insalubre. 

Valorização e empoderamento 

Policial penal, a blogueira Fabíola Castilho, do Guerreiras do Sistema Prisional, falou da valorização das mulheres na categoria, que hoje são um pouco mais de 3.500 na ativa em SP. 

“A valorização do profissional é uma das grandes frustrações. Com a ausência de um plano de cargos e salários, em São Paulo temos um dos piores salários do país”. Fabíola defendeu ainda a importância de divulgar a profissão e quebrar a visão que a maioria das pessoas têm sobre os policiais penais. 

Edleidy Rodrigues, coordenadora administrativa da Superintendência de Segurança Penitenciária do Estado de Goiás, falou sobre "A mulher policial penal: sua força e importância para o sistema penitenciário”. A policial penal discorreu sobre o conceito de empoderamento, e defendeu a sororidade entre as mulheres em vez da rivalidade. 

A advogada criminalista Adriana Martorelli abordou os “Aspectos gerais do sistema penitenciário paulista”, palestra em que ressaltou o papel dos sindicatos no processo de regulamentação da Polícia Penal paulista, pela representação da categoria e diálogo aberto com o governo estadual. 

Saúde e enfrentamento aos preconceitos

A psicóloga Vânia de Souza tratou dos impactos da atividade profissional na saúde física e mental das policiais penais, narrando alguns relatos de luta das mulheres dos 19 anos em que tem prestado atendimento à categoria.

“Antes era muito difícil uma mulher dar a cara a tapa e assumir que estava passando por um problema, era sempre a distância. Tratar do adoecimento é muito importante dentro do sistema penitenciário porque alguma das mulheres ainda continuam sem voz e sem vez, ou envergonhadas de falar que estão com problemas de saúde”, alertou. 

O encerramento da programação de debates foi feito pela advogada Márcia Póvoa, secretária geral da Associação Nacional da Advocacia Criminal (Anacrim) de Goiás e coordenadora regional de prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). Compartilhando vivências da própria história, ela falou de vitórias do dia a dia em contraponto às guerras travadas pelas mulheres para vencer os preconceitos da profissão.  

“Tenho orgulho da semente que tem sido plantada pelas policiais penais. Iniciar um novo caminho assusta, mas depois de um tempo relaxamos. A verdade é que o susto não é nosso, mas de quem não acreditou que somos capazes”, disse Márcia. 

Presidente do SIFUSPESP, Fábio César Ferreira, o Fábio Jabá, parabenizou a iniciativa do evento, defendendo mais espaço e mais voz às mulheres dentro e fora do sistema prisional. 

“As guerreiras ainda enfrentam obstáculos e preconceitos na profissão, e não deixam dúvidas da garra que têm para enfrentar os desafios. Voz e espaço são fundamentais ao empoderamento das mulheres”, ressalta Jabá. “Elas podem contar com o apoio do SIFUSPESP não só no mês de março que é datado com o mês da mulher, mas sempre”, completa o sindicalista.