Cintia

Cintia Cristiane dos Santos Monteiro é Psicóloga e realiza trabalho voluntário de atendimento clínico para funcionários do sistema prisional na regional SIFUSPESP da cidade de Taubaté.
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Por Cíntia Cristiane dos Santos Monteiro, Psicóloga

 

Esgotamento físico e mental, irritação freqüente, falta de atenção e de concentração, lapsos de memória, nervosismo e desinteresse pelo trabalho são alguns dos sintomas que caracterizam a Síndrome de Burnout. É um fenômeno psicossocial, marcado por episódios intensos de esgotamento físico e mental, que se desenvolve como resposta à pressões prolongadas sofridas por um indivíduo a partir de fatores emocionais estressantes e interpessoais relacionados ao ambiente de trabalho, muitas vezes confundido com estresse.

A Síndrome de Burnout é a resposta a um estado prolongado de estresse de forma crônica quando o indivíduo tenta se adaptar a uma situação desconfortável no trabalho. A diferença é que o estresse pode apresentar aspectos positivos ou negativos, enquanto o Burnout terá um caráter negativo relacionado com o mundo do trabalho do indivíduo e sua atividade profissional desgastante que exerce.

É muito comum em profissões que exigem o contato direto com as pessoas, sendo mais ocorrente com: professores, assistentes sociais, trabalhadores da área de saúde, policiais, agentes penitenciários, recepcionistas, bancários, gerentes, atendentes de telemarketing, motoristas de ônibus, profissões de elevada responsabilidade para com o outro em diversas situações.

O agente penitenciário é reconhecido como aquele que é responsável por desempenhar atribuições de vigilância, custódia e aplicação de medidas restritivas de direitos e de privações de liberdade. Tendo como missão, (re) educar a pessoa que praticou um crime e garantindo que esta possa viver em uma condição social que não coloque a sua vida pessoal e as demais em risco. Além das demais atividades laborais do agente penitenciário, podemos perceber os riscos que caracterizam seu ambiente de trabalho são um dos fatores que tornam esta categoria alvo de altos níveis de estresse.

Os riscos da profissão e a desvalorização da classe só aumentam a propensão ao estresse que pode acontecer naturalmente dado o conteúdo relacional entre presos e agentes que são freqüentemente expostos a agressões físicas e psicológicas, resultantes do contato direto com as pessoas privadas de liberdade e do fato de serem vistos por estas como responsáveis pela manutenção do seu confinamento.

Os Agentes penitenciários são suscetíveis à insônia, depressão, paranóia e dependências químicas e esse desgaste tem como conseqüência a exaustão no ambiente de trabalho, tornando a profissão altamente estressante, resultando em absenteísmo, abandono de emprego e processos administrativos.

A constante tensão e estresse em um local de trabalho são potencializadores para o desenvolvimento da Síndrome de Burnout. Você já se percebeu em alguma das situações a seguir:

1) Exaustão Emocional (sentimento de carência em recursos emocionais e geralmente relacionada à sobrecarga de trabalho);

2) Despersonalização (sentimentos negativos em relação às pessoas com as quais trabalha),

3) Baixa Realização Pessoal, (autoavaliação negativa de si mesmo).

* Esta avaliação negativa afeta diretamente o autoconceito, a autoestima e relacionamentos interpessoais estabelecidos no trabalho.

 

Você identifica algum desses sintomas ou vários deles freqüentemente? Já procurou auxílio médico-psicológico para saber se sofre da Síndrome de Burnout? Cuide-se.

Cíntia Monteiro, Psicóloga. Atende todas as semanas na regional do SIFUSPESP do Vale do Paraíba, fone: (12) 3629 4471

O sindicato somos todos nós, unidos e organizados!

 

 

Por Cíntia Cristiane dos Santos Monteiro, Psicóloga 

O "ADOECER " está diretamente ligado ao modo de vida das pessoas dentro e fora do ambiente de trabalho, sendo que é neste ambiente que se encontram vários elementos que podem ser a causa para o sofrimento e para a dor psíquica. O sofrimento por sua vez é capaz de desestabilizar a identidade do sujeito, conduzindo-o a transtornos mentais.

No caso dos servidores do sistema prisional, existe uma convivência em duas sociedades ao mesmo tempo. Uma delas é a organização social na qual estes profissionais aprendem a conviver com os hábitos, costumes, gírias, comportamentos negativos, etc. dos aprisionados. Nesse ambiente estes profissionais sofrem um impacto social, sendo comum apresentarem alto grau de estresse e seus reflexos negativos físicos e psíquicos entre outros problemas, em função do dano psicológico e da mudança de convívio e de princípios e regras do ambiente de trabalho.

Ao entrar em conflito com essas questões, muitas vezes esses trabalhadores passam por um processo de socialização intra e extramuros, ocasionando, assim, um desgaste físico e psicológico. É comum apresentarem-se sempre desconfiados das pessoas e de todos ao seu redor.  Além do desgaste físico, emocional e dos problemas de saúde, ainda sofrem consequências relacionadas aos vínculos que caracterizam os encarcerados, como a corrupção, exclusão e a violência de forma geral.

Existem pressões sofridas dentro e fora do ambiente de trabalho, a maneira como lidam diretamente com os que cumprem penas, muitas vezes vinculadas ao crime organizado, além da superlotação carcerária, precárias condições de trabalho e risco de morte durante as rebeliões, a sensação de insegurança para o seus familiares dentre outros agentes estressores.

Ao contrário que muitos pensam, o papel do Psicólogo é expandir o pensamento da pessoa que o procura. Mostrar novos caminhos para resolução dos conflitos. É pensar juntos na tentativa de enxergar sua história, ou oportunidades de uma maneira nova de olhar para aquele momento de sua vida.

O Psicólogo acolhe sem julgamentos, orienta para o crescimento e desafia para atingir ganhos, transformando o estresse em novas atitudes e promover a mudança de comportamento para alcançar melhor qualidade de vida e bem estar consigo e com sua família e amigos.

É um processo, e como tal, pode ser rápido ou longo. O que dependerá da disponibilidade e necessidade de quem busca seu serviço.

A saúde mental não se restringe apenas a transtornos ou a doenças mentais. Ela diz respeito ao nosso modo de estar no mundo, às nossas relações com as outras pessoas e à nossa postura perante o mundo em que vivemos. Tem a ver com sofrimento tanto quanto com felicidade.

Conscientizar-se da importância de cuidar da nossa saúde mental assim como cuidamos de nossa saúde física nos leva a um equilíbrio em vários papéis que desempenhamos no dia a dia.



Cíntia Monteiro, Psicóloga.

Atende todas as semanas na regional do SIFUSPESP do Vale do Paraíba, fone: (12) 3629 4471